Qualquer gordo tem Blog

12/01/2010

“Daria um mindinho da mão esquerda para ficar com a Cléo Pires.”*

* O título acima não reflete necessariamente a opinião do autor desse blog

Esse ano de 2010 promete ser o ano das polêmicas. Mal 2009 acabou e Boris Casoy já se antecipou ofendendo dois garis que desejavam Feliz Ano Novo aos seus telespectadores. No dia seguinte estreou nos cinemas “Lula, o filho do Brasil” filme que conta a trajetória de nosso presidente desde o nascimento em 1945 até a morte de sua mãe Lindu em 1980. Muitos acusam o filme de eleitoreiro, por estrear justamente em um ano de eleições presidencias. Estes podem ficar tranquilos. O filme é tão frustrante que é mais fácil servir como contra-propaganda do que o contrário.

Antes de mais nada, queria deixar bem claro que, primeiro, esse é um blog parcial e anti-serrista e que os textos escritos aqui refletem a opinião de seu autor.

Segundo, não sou crítico profissional. Sou um mero apreciador da sétima arte que acha que tem gente interessada no que ele acha de determinado filme. Se quiser opiniões mais avalizadas leia aqui e aqui.

Começo essa crítica em tom de mea culpa para ser fiel ao filme que abre com um esclarecimento de que a realização desse filme não contou com nenhuma lei de incentivo federal, estadiual ou municipal. No entanto é enumerad uma lista de patrocinadores que tem claros interesses no governo: Oderbrecht e OAS por exemplo. Mas para mim não é isso que pecacontra o filme. O problema maior foi o Sr. Fábio Barreto desperdiçar tanta grana de gente graúda fazendo um filme melodramático e óbvio.

Assim que o projeto de um filme sobre Lula foi anunciado, a comparação imediata foi com “2 filhos de Francisco”. Biografia de personagens ainda vivos, que vieram do interior do país e que tem um dos progenitores como figura central (em “2 filhos…” Seu Francisco. Em “Lula…” Dona Lindu) Antes fosse igual ao filme sobre Zezé  e Luciano. Ao menos nesse as partes dramáticas não eram tão piegas. Existem situações como a perda um ente querido, de um filho, a partida de casa ou o primeiro beijo no grande amor de sua vida que, sendo bem feitas, não carecem de outros recursos para serem envolventes. Mas o Fábio Barreto insiste em colocar uma musiquinha pentelha de programa sensacionalista toda vez que ocorre algo triste na história. Vê se “2 filhos…” precisou disso.

Não bastasse isso, o diretor de bombas como “Bella Donna” e “A paixão de Jacobina” ainda insiste em colocar símbolos óbvios na tela para enfatizar certas passagens, por exemplo, quando o Lula vai beijar a Lurdinha (Cléo Pires), aparece um coração piscante entre eles. É como se o diretor disesse para nós, espectadores “Olha, esse é o momento romântico do filme. É a hora de vocês chorarem e apertarem as mãos dos seus amores”. Jura? Eu pensei que era a hora de ir ao banheiro.

A impressão é de que o Barretinho acha que quem vota no Lula é imbecil e só os seus eleitores é que vão assitir o filme, por isso ele tem que ser bastante óbvio. Chega ao cúmulo de em vários momentos considerados “chave” do filme passar um “flashback” incluindo cenas que a gente viu não faz nem cinco minutos. Mas o que é isso? Até na APAE esse cara seria vaiado.

Outra coisa obscura nesse filme é o papel do Lula. Tudo bem que ele é o protagonista do filme, mas desde moleque as melhores falas são as dele. Quando o Aristides (Milhem Cortaz) seu pai  vai bater na Lindu (Glória Pires) é ele quem intervém. Quem vê acha que o barbudim nasceu pronto e que os irmãos dele não tiveram influência na sua personalidade (salvo uma ou outra intervenção do Ziza, não sei quem é o ator que o interpreta). Sem contar que de repente o Lula passa de completo alienado a líder sindical. Querdizer que pra dirigir sindicato basta ter barba, ver novela, comer filé miau e brigar com o seu antecessor. Existe um sindicato dos blogueiros? Quero fazer parte.

O filme só não é ruim por causa da fotografia, do excelente uso das imagens de arquivo, de alguns momentos marcantes como quando o Lula bota um pretendente da Marisa pra correr (única cena que gera comoção geral na platéia) ou o comício daVila Euclides e também por causa da Glória Pires.

É Glória a responsável pelas glórias do filme (com trocadilho, por favor).  Fosse uma atriz menos talentosa no papel de Lindu e essa película teria a mesma qualidade das outras porcarias que o Fábio dirigiu (não faço aqui qualquer menção ao carro em que ele se acidentou, hein). Sobre o Rui Ricardo Diaz, que fez o papel do presidente, vou contar um fato curioso. Fui ver o filme com a minha namorada. Toda vez que o ator abria a boca pra falar, ela começava a rir como se tivesse ouvindo o Beto Hora imitando o Lula. Seria o caso de terem solucionado isso a maneira “Darth Vader”. Um ator “veste” o personagem e outro faz a voz. Não estou brincando.  O Rui é bem parecido com o presidente quando jovem, mas não pareceser uma cara que saiba modular a voz como um imitador profissional como Beto Hora e Marcelo Adnet. Ficou parecendo uma imitação mal-feita. Ou será que a gente estranha porque todo dia ouve a voz do original?

Menção também para as atrizes que fazem as esposas do Lula: Juliana Baroni e Cléo Pires, sendo que essa última ganharia fácil o título de “A dona de casa mais bela do Brasil”. Gosto do Lula e votei nele, mas vem cá onde que um metalúrgico ferrado, feio e sem dedo cara bacana, mas desprovido de beleza vai conseguir uma mulher daquela? E o pior, parecida com a própria mãe! Teria o presidente complexo de Édipo? Tomara que o Lulinha não sofra disso ou Juliana Baroni corre o risco de virar primeira-nora.

Dona Marisa que não dê uma de besta não.

10 Comentários »

  1. Realmente, acho que só o Heber gostou desse filme!

    Comentário por Darlan — 13/01/2010 @ 10:02 | Responder

    • Ficou de me escrever uma réplica.

      Comentário por qualquergordotemblog — 13/01/2010 @ 10:54 | Responder

  2. Nossa é tão ruim assim o filme.Até vc que gosta de filme, disse isto.

    Comentário por zelão — 13/01/2010 @ 16:31 | Responder

    • Não é ruim, Zé, é regular. Ruim seria se não tivesse a Glória Pires, a fotografia primorosa, as cenas de arquivo e, correndo o risco de apanhar da Rê, a Cléo e a Juliana.

      Comentário por qualquergordotemblog — 13/01/2010 @ 16:55 | Responder

  3. Bom, vou expressar minha opinião sobre o filme. Não acho que o filme seja bom no sentido amplo do cinema. Como tão bem analisou o Thiago, tem muitas falhas de direção, forçar situações (das mais variadas possíveis). Além do mais, o ator que interpreta o Lula não foi conseguia imitar o mesmo nos discursos (e os brasileiros estão acostumados com a excelente retórica do presidente). Mas acho que o filme foi bom pelo roteiro (apesar de ter alguns buracos – por exemplo como ele sai de uma situação de alienada para tornar-se sindicalista), mostrar a história de um retirante que inicia na vida política é algo considerável, ainda mais em ano eleitoral (nao sejamos ingênuos).

    Thiago…faltou vc completar com ALGUMAS palavras o seu texto:
    “Antes de mais nada, queria deixar bem claro que, primeiro, esse é um blog parcial e anti-serrista, PETISTA ou DE ESQUERDA e que os textos escritos aqui refletem a opinião de seu autor”

    Tá parecendo tucano enrustido…que gosta de pesar de crítico mas com pretensa neutralidade eheheheeheheh

    Abração … gostei da sua crítica ao filme

    Comentário por Heber — 14/01/2010 @ 15:09 | Responder

    • Tucano enrustido é o cacete! Eu ia escrever “Tucano enrustido é teu pai”, mas seu pai não merece uma ofensa dessas Hehehehehehe Quem acompanha esse blog com frequência (duas pessoas) sabe que ele tá longe de ser neutro.

      Comentário por qualquergordotemblog — 14/01/2010 @ 15:17 | Responder

  4. Não vi o filme, e não tenho muito interesse em fazer isso. O que mais me revolta é saber que este é o filme mais caro da história do Brasil. Tanto cineasta realmente bom, com idéias realmente boas, que nunca receberão um décimo desta verba para fazer seus filmes. Lamentável. è apenas isso que gostaria de comentar.

    Comentário por Bruno (D2) — 20/01/2010 @ 10:21 | Responder

    • E o pior é que esse filme teve um esquema monstro de distribuição. Não acho que não mereça, mas isso deveria ser práxe de todo filme nacional. E acho muito válido fazer um filme sobre o Lula, mas teria que ser feito depois que ele saísse do cargo e com um diretor melhor.

      Comentário por qualquergordotemblog — 20/01/2010 @ 11:08 | Responder

      • Exatamente! Se feito depois que ele saísse do cargo, faria todo o sentido. Iria receber um porrilhão de críticas (válidas e não-válidas). Mas seria um filme pertinente, ao menos.

        Comentário por Bruno (d2) — 20/01/2010 @ 17:03

  5. Ah, então vc daria muito pouco pela Cléo eim! rs

    Comentário por Lu — 09/03/2010 @ 16:33 | Responder


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