Qualquer gordo tem Blog

19/05/2011

Livro aprovado pelo MEC é “anti-pedantismo”

Tu tens que treinar tua gramaticabilidade! Tu não podes dizer "os livro"

Criou-se uma polêmica nos últimos dias (e, como quase toda polêmica criada nesse país, é completamente desnecessária) em cima de um livro de português que “estaria ensinando” as pessoas a falar errado e a cometer erros de concordância (nossa que MEC malvado, vamos esquartejar o Haddad e expor os em praça pública). O livro em questão é o “Por uma vida melhor” destinado a alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos, portanto gente grande, que não precisa que ninguém os defenda) e que apenas tentava mostrar a essas pessoas que a língua (qualquer uma) é dinâmica e não há “certo” ou “errado” e sim “adequado” e “inadequado”.

Para quem não entendeu, eu vou tentar explicar usando um tipo de comparação que ficou muito popular por essas bandas (principalmente durante os mandatos do Lula): a comparação futebolística. Há treinadores de futebol como, por exemplo, Muricy Ramalho que usa agasalho de treinamento à beira do campo e fala com a imprensa com o mesmo tipo de linguagem que usa para com os seus comandados (com menos palavrões e gritos a bem da verdade). Há outros, no entanto, que optam por terno e gravata na área técnica e usam termos pouco comuns ao mundo do futebol quando falam com a imprensa como “treinabilidade”, “jogabilidade” ou então “palavras-chave” que parecem ter saído do mundo corporativo como  “processo”, “projeto” e “profissionalismo”. Não preciso dizer que eu me refiro a Tite e Luxemburgo.

"Aqui é trabalho, meu filho" - "Porque o o Poxexo, o poxexo..."

Qual dos dois estilos é o correto? Ora, futebol não é disputa para ver quem fala mais “certinho”. Não é o “Soletrando” do Luciano Huck. Ganha aquele que tiver o comando da sua equipe e consiga que todos colaborem para o bem comum que é chegar ao título e para isso é preciso que haja comunicação, que o comandante fale a mesma língua dos comandados (na verdade, a mesma variante linguística).

Alguém aí (qualquer um dos dois que leem o que escrevo aqui) realmente acredita que o Tite fala tão difícil com o elenco do Corinthians quanto fala com a imprensa?

Eu tenho certeza que não:

Então para quê a tal da “treinabilidade” na hora da entrevista? Das duas uma, ou o técnico, por ser uma figura pública se vê obrigado a usar um vocabulário culto a fim de “dar um bom exemplo” aos amantes do futebol e mostrar como se deve falar em público, ou se trata de “pedantismo”, pois todos sabem que a variedade culta da língua também pode servir como símbolo de “status” ou mesmo instrumento de opressão (estou falando sério), uma forma de se dizer superior e “mais preparado” do que os outros (é o que faz muitos adEvogados, médicos, “doutores” em geral…).

Enfim que o MEC quer com o tal “livro polêmico” é mostrar que as pessoas que falar errado não é crime, nem motivo de vergonha. É apenas algo inadequado para algumas situações. O livro quer ensinar  o melhor jeito de se usar um bom terno, mas não proibir a pessoa de usar agasalho quando for preciso ser informal. E, principalmente, quer ensinar as pessoas a ler um texto mais formal e COMPREENDER O SEU SIGNIFICADO como parece que alguns jornalistas não conseguem fazer como mostrou o Sírio Possenti.

13 Comentários »

  1. A atual celeuma está sendo fomentada pelas editoras, Abril e Globo, que foram jogadas ao léu pelo Ministério da Educação.

    Comentário por Paulo P — 19/05/2011 @ 19:17 | Responder

    • Pessoa, você pode dar mais detalhes com relação a isso? Como chegou até o blog?

      Comentário por qualquergordotemblog — 20/05/2011 @ 9:12 | Responder

  2. Eu discordo da posição do MEC e concordo com o ultraje. O Português correto é de suma importância para a boa conversação. E, já que tocamos no assunto, em “( e como quase toda polêmica criada nesse país é completamente desnecessária)” você deixou de utilizar vírgulas para isolar sua oração subordinada adjetiva explicativa e utilizou um espaçamento desnecessário entre a abertura do parêntese e a primeira palavra. Por isso, eu enforcá-lo-ei com uma corda feita com os intestinos dos seus familiares e arrancar seu coração, ainda pulsante.

    Comentário por Prof. Paulo Júlio Alves Roberto — 19/05/2011 @ 22:50 | Responder

    • Obrigado pela correção. Toda e qualquer correção será sempre bem-vinda (sério). Creio eu que, em breve, quem serão enforcados com as próprias tripas serão os gramáticos. Abraços.

      Comentário por qualquergordotemblog — 20/05/2011 @ 9:11 | Responder

      • Você não quer mexer com os gramáticos. Eles são uma espécie de PCC que não está majoritariamente preso e não diz “bobeou aí é nóis, mano”, mas “na eventual ocorrência de uma falha cognitiva por parte de nossos adversários, seguir-se-á abruptamete a outorgação de nossos desejos, os já expressos e os demais, prezado interlocutor”.

        Comentário por Prof. Paulo Júlio Alves Roberto — 21/05/2011 @ 4:21

      • Não entendi o que você disse, mas já fiquei com medo.

        Comentário por qualquergordotemblog — 23/05/2011 @ 8:14

  3. O problema, professor, é que o senhor parte de um preconceito para argumentar:

    “O Português correto é de suma importância para a boa conversação”

    Português correto? O da norma padrão é correto e o restante é erro e regionalismo? Ah, sinto muito, mas isso é desconhecimento.

    Comentário por Bruno de Oliveira — 20/05/2011 @ 10:53 | Responder

  4. Adorei seu post, é realmente difícil encontrar um endereço eletrônico que apresente uma carga de informações menos tendenciosa. Quando postar novos, entre em contato comigo, se possível. E somente uma perguntinha: assistiu o cqc, quando “falou” sobre o assunto? rsrs

    Comentário por Heyson Figueiredo Mello — 24/05/2011 @ 16:45 | Responder

    • Não vi. O quê que pegou?

      Comentário por qualquergordotemblog — 24/05/2011 @ 16:48 | Responder

      • Destaque para o momento 3:34, quando um senhor que estava a criticar veementemente a nova regra diz “tem que entender que o povo pode até falar assim, mas a meta é melhorar e não ensinar a coisa errada às criança”.

        Comentário por Prof. Paulo Júlio Alves Roberto — 25/05/2011 @ 17:42

      • Hahahahahahahahahahaha…Sensacional!

        Comentário por qualquergordotemblog — 25/05/2011 @ 17:51

  5. Bem, podemos usar um português correto mesmo falando a públicos diferentes. Não precisamos (e não devemos) falar “os livro” quando o público é “povão”. Não precisamos (e também não devemos) excluir ninguém, mas deixar de corrigir pode ser “pecar por omissão”. E passa a ser uma omissão grave se o omisso é um professor que não corrige o aluno apenas porque é possível entendê-lo. Um entrevistador do setor de recursos humanos de uma empresa vai entender se o entrevistado falar “As minha obrigação era…”. Só não vai contratá-lo…

    Comentário por Elildo Mancebo Reis — 05/07/2011 @ 3:23 | Responder

    • Ninguém quer deixar de corrigir ninguém. Apenas mostrar que há duas maneiras de dizer a mesma coisa. Uma maneira, a pessoa usa para falar com os íntimos e a outra para usar com o rapaz do RH ou com o professor ou qualquer pessoa com a qual ele precise usar uma modalidade mais culta da língua.

      Comentário por qualquergordotemblog — 05/07/2011 @ 9:33 | Responder


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