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31/03/2009

“Watchmen – O filme”

Who watched The Watchmen?

Who watched The Watchmen?

Comparo a experiência de Zack Snyder em filmar Watchmen com a do cara que resolve transformar seu carro em um “low rider” (aquele, bem rebaixadão). Nego pega aquele carro clássico, antigo, conversível, longo, mexe na suspensão, rebaixa, pinta com cores fortes, muda o estofamento, troca o painel, “apeluceia os volantes”, pendura uns dados no para-brisa e tá lá, aquele carro lindão! Pronto pro cara se exibir pros manos dele e para as gordinhas de bunda grande e shortinho! Agora vê se o cara leva a mulher dele grávida, com a bolsa rompida, pronta pra parir um catarrento, com aquele carro? O bicho não corre! Não foi feito pra isso! É um carro para exibição e não para corrida. Assim também é “Watchmen”: Um filme que Snyder fez para mostrar e dizer “Olha como eu consigo ser fiel a história em quadrinhos original”, mas que não “anda”, não se preocupa em contar uma história e só começa a empolgar mesmo, do meio pra frente.

O que não quer dizer que o filme seja uma merda, muito pelo contrário. A direção de arte é fantástica, a maquiagem e a trilha sonora idem, a preocupação com os detalhes é impressionante, tanto quanto a coragem em filmar certas cenas de violência, sexo e nudez (nesse quesito faltou um pouco mais por parte da Srta. Malin Akerman, que NESSE filme, tira pouco a roupa). Precisava só se preocupar mais em contar a história, em conduzir o espectador. Mesmo um cara que curta quadrinhos e que conheça a série (ainda que não tenha a lido inteirinha, como eu) fica meio “perdido” durante o filme, que divaga bastante (não mais que a própria série em quadrinhos), mostra a trajetória de cada herói e tantos detalhes que nos faz ficar ansiosos pelo lançamento em DVD, quando poderemos prestar melhor atenção em tudo (será que essa não é a intenção?).

É impossível não comparar com “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, ainda hoje a melhor adaptação dos quadrinhos para o cinema, justamente porque o diretor cagou pros originais do Frank Miller (O filme não tem nada a ver com a obra, originalmente “The Dark Knight Returns” só faz referência a algumas histórias do Morcegão, dentre elas “A piada mortal” do Moore e do Brian Bolland) se preocupou em contar uma história e não em ser fiel. Mas justiça seja feita, Snyder fez o melhor que pôde. Afinal não é fácil transformar um calhamaço de 400 páginas, 12 capítulos e uma arte que dá até medo de tentar reproduzir em uma obra audiovisual. Podia ser uma minissérie de TV (que emissora bancaria uma série com tanto sexo e violência?), podia ser uma trilogia (O que obrigaria o primeiro filme a ser muito mais dinâmico para poder fisgar o espectador e fazê-lo se interessar pelos outros filmes), mas tinha que ser um filmaço de quase três horas de duração.

Pior que isso é só a decepção de um cara que tenta ser o mais fiel possível ao Criador, procura reproduzir a sua obra com extrema precisão e ouve dele “O filme Watchmen me soa como minhocas regurgitadas. E eu tenho nojo de minhocas”. Alan Moore é o Deus cruel dos quadrinhos.

Não gostou dessa merda? Leia uma crítica que presta aqui

Dave Gibbons também é autor de Watchmen e deu seu aval para o filme.

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